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Somos colegas de profissão e talvez por
isso, porque no que fazemos está sempre
presente a perspectiva efémera,
compreendemos bem o sentido transitório
dos gestos das cores e principalmente da
vida.
Escrever sobre um trabalho, é só uma das
muitas leituras que ele encerra, porque
cada um de nós é um universo de
referências diferentes, por isso a arte pode
ser tão rica ou tão pobre.
Depende unicamente de nós. Do nosso olhar
e do que nós queremos cruzar com o que
somos e com a obra do artista.
Nesta exposição são apresentados
trabalhos com motivos que aparecem e
desaparecem, ora em gestos vigorosos, ora
em formas contidas, constrangidas pelas
máscaras (stencil ) ou arranhadas, para
deixar marcas indeléveis. Formas de estar
e de ser. Descontraidamente. Como o Paulo
vive. Desafiando a imaginação, reciclando,
criando.
Se por vezes as situações são nítidas e
claras aos nossos olhos, também por vezes,
nos parecem veladas, ambíguas.
Os trabalhos do Paulo reflectem, um pouco
tudo isto, em 30cm2 de tela, mas decerto
muitos outros "links" acontecerão, isso
depende do vosso olhar e esse..é o vosso
desafio.
Regina Pinheiro

A pintura aparece no final dos anos 80 numa necessidade de registar memórias e experiências vividas. As referências florais aparecem com frequência na obra de Paulo Pacheco inspirado na sua sensibilidade nasal e na sua adoração pelos aromas que o transportam para outros tempos vividos e viajados. O universo dos aromas é aquela referência estática e sombreada quase que encarcerada vista por de traz de algumas sombras da película sobreposta a luz que figura e emana de suas telas numa explosão de cor e movimento mas sempre voltada para o seu eu interior com pinceladas expressivas e até agressivas. Através da sua pintura com paleta de cores variadas, algumas mesmo inspiradas em fotografias antigas de momentos vividos e registado, busca Paulo Pacheco procurar alguns sentimentos num movimento de seus pincéis e seus elementos pictóricos. Mas como um artista que gosta e respeita as outras artes ele consegue trazer esse registo de seu imaginário para o seio da sua pintura, aliando talento e criatividade e um sentimento crítico altamente apurado e exigente criando todavia algo de novo. Talento só não basta, é preciso arrojo e este, junto a experiência pessoal do artista-vitrinista deu-lhe o privilégio de atirar para a tela tintas pincéis e outros materiais e ferramentas, e a nós a contemplação e buscas de referências, sonhos, e imagens do inconsciente para viver os nossos próprios sonhos e memórias.