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A pintura aparece no final dos anos 80 numa necessidade de registar memórias e experiências vividas. As referências florais aparecem com frequência na obra de Paulo Pacheco inspirado na sua sensibilidade nasal e na sua adoração pelos aromas que o transportam para outros tempos vividos e viajados. O universo dos aromas é aquela referência estática e sombreada quase que encarcerada vista por de traz de algumas sombras da película sobreposta a luz que figura e emana de suas telas numa explosão de cor e movimento mas sempre voltada para o seu eu interior com pinceladas expressivas e até agressivas. Através da sua pintura com paleta de cores variadas, algumas mesmo inspiradas em fotografias antigas de momentos vividos e registado, busca Paulo Pacheco procurar alguns sentimentos num movimento de seus pincéis e seus elementos pictóricos. Mas como um artista que gosta e respeita as outras artes ele consegue trazer esse registo de seu imaginário para o seio da sua pintura, aliando talento e criatividade e um sentimento crítico altamente apurado e exigente criando todavia algo de novo. Talento só não basta, é preciso arrojo e este, junto a experiência pessoal do artista-vitrinista deu-lhe o privilégio de atirar para a tela tintas pincéis e outros materiais e ferramentas, e a nós a contemplação e buscas de referências, sonhos, e imagens do inconsciente para viver os nossos próprios sonhos e memórias.
